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Impacto Ambiental

Quando falamos sobre o impacto ambiental causado pelo descarte de cartuchos de impressoras laser e jato de tinta, é difícil visualizar, pois logo nos remetemos à figura de apenas um cartucho, que nós próprios podemos estar eventualmente descartando. Para traçar um cenário claro sobre o real efeito na sociedade, quando milhares de cartuchos são descartados, descrevemos algumas estatísticas ambientais a respeito:

  • Em 1998 mais de 184 milhões de cartuchos jato de tinta foram descartados nos Estados Unidos:

    - Colocados lado a lado estes percorreriam a distância de 16.000 quilômetros, o que daria para dar a volta ao mundo duas vezes.
    - Em termos de peso, isso equivale a 27.000 elefantes africanos, ou mais que a população do Wyomin e do Alasca juntas;
    - Isto representa o mesmo volume que enterrar 2 milhões de refrigeradores domésticos em lixões;
     
  • 57 gramas de óleo combustível são usados para cada cartucho jato de tinta produzido;
     
  • 85 gramas de óleo combustível são usados em cada cartucho de toner produzido;
     
  • De meio a 1 galão de óleo combustível é economizado em cada cartucho de toner laser retornado, considerando seu ciclo completo de produção;
    • Se nos próximos 7 anos todos os cartuchos jato de tinta e laser fossem retirados dos aterros e colocados lado a lado cobririam a distância da Terra até a Lua  356.800 km);
  • São 38.000 toneladas de resíduos que deixam de ir anualmente para os aterros municipais dos EUA.
  • Precisamos lembrar que, quando descartamos um cartucho de toner e/ou jato de tinta no meio ambiente, estamos gerando resíduos sólidos e líquidos potencialmente poluidores, com partes plásticas e metálicas, além de desperdiçar a energia necessária para fabricar novos componentes para substituir os descartados.

    O pó de toner é considerado não-tóxico e não-perigoso. No entrando, devido ao tamanho extremamente pequeno suas partículas, ele pode causar irritação no trato respiratório de pessoas expostas a larga quantidades e por longos períodos. Em geral, o material não é rotulado como causador de nenhum efeito ambiental adverso.

    Os países nórdicos do continente europeu, Dinamarca, Finlândia, Noruega, Suécia e Islândia, publicam desde 1989 um guia de princípios ecologicamente corretos para vários grupos de produtos, e possuem um capítulo dedicado exclusivamente aos cartuchos de toners. Todos os critérios estão baseados na norma ISO 14.024 e provêem informações aos consumidores que os habilitam a selecionar quais os produtos que causam o menor dano ao meio ambiente. O capítulo 008/3.1 Toner Cartridges é revisado a cada 2 anos, e identifica os pó de toner como potencialmente cancerígeno, exatamente por causa da irritabilidade nas vias respiratórias, que pode vir a gerar câncer nos pulmões.

    Alguns pesquisadores estão trabalhando na aplicação do pó de toner em massa asfáticas, como formas de minimizar seu envio para aterros.

    A Guerra dos Fabricantes X Recicladores

    Por pressões da indústria de impressoras, a remanufatura de cartuchos de toner e recarga de cartuchos, eram vista no seu período inicial, como uma atividade sem importância e marginalizada pela sociedade.

    As indústrias difundiram vários mitos sobre a remanufatura/recarga, sendo que, em alguns países, foram judicialmente obrigados a reconhecer que a difusão de informações maldosas era somente jogada de marketing, tais como:

  • Que cartuchos reciclados estragavam as impressoras dos usuários;
     
  • Que só usavam remanufaturados os usuários que não possuíam condições econômicas de utilizar cartuchos novos;
     
  • Que quem usa cartuchos remanufaturados perde automaticamente a garantia dada para toda a impressora.
  • Temos que ter em mente, que um fabricante vende uma nova impressora para o mesmo usuário, a cada 3 ou 4 anos em média. No caso de cartuchos, o usuário necessita repô-los quase que mensalmente, dependendo da extensão de seu trabalho. Isto representa uma fatia do mercado extremamente grande, e que os fabricantes não querem perder.

    Os novos projetos de impressoras laser chegaram a inserir chips nos cartuchos utilizando sistemas que os licenciavam para single use, impedindo eletronicamente que pudessem ser remanufaturados.

    A Lexmark Internationl Inc. teve contra si, em 1998, um processo de investigação movido pelo Federal Trade Comission (FTC), Serviço de Protenção ao Consumidor e Serviço de Competição dos EUA, por prática lesiva a concorrência em sua linha de impressoras e cartuchos de toner Optra 5, pela inserção de chips single use, numa clara infração as leis antitrustes dos EUA. O despacho, desfavorável ao fabricante, cita o desastroso impacto que isto traria ao robusto setor de cartuchos de toner reciclados, que em 1998 representava US$ 1 bilhão de vendas anuais só nos EUA.

    Recentemente a Hewlett Packard (HP) introduziu uma linha de impressoras Série Profissional 2000C, que inclui uma restrição single use only, que difere levemente da tática da Lexmark, porém também restringe a competição a partir de cartuchos remanufaturados: o remanufaturador precisa comprar da HP o cartão com o micro chip dedicado a cada recarga de cartucho, mantendo a dependência junto ao fabricante. O FTC continua fazendo investigações para coibir legalmente tais práticas.

    Mais recentemente, a Xerox mundial lançou um programa que fornece impressoras gratuitamente, sob determinadas condições, desde que o cliente mantenha fidelidade na hora da compra de suprimentos. Isto prova que o foco da empresa fabricantes está mudando, da simples venda de impressoras, para a venda de suprimentos desta cadeia produtiva.

    O Mercado de Reciclagem de Cartucho

    O Governo dos EUA, através de normativas do DOE (Departamento de Energia), recomenda entre os órgãos públicos o uso de cartuchos remanufaturados, como forma de economizar sem sacrificar a qualidade e o ambiente. Existem bolsas de mercadorias, com disponibilidade de marcas e modelos, que são atualizadas entre os órgãos públicos. O DOE também demonstra que a economia em cartuchos de toner está entre 10% e 40%, se comparados com cartuchos novos. Existem institutos e laboratórios independentes, como o Torrey Pires Research e o Buyer´s Laboratory, que verificam o desempenho qualitativo de cartuchos, rotulando o serviço de remanufatura com selos de qualidade, em testes onde a performance é igual ou até melhor que o cartucho OEM (Original Equipment Manufacturer). A que cabe lembrar uma peculiaridade: os cartuchos dos fabricantes não são feitos pelos fabricantes, e sim por empresas em regime de OEM, sujeitas a falhas e a teste de desempenho tais quais os remanufaturados.

    Dados revelam que este mercado de reciclagem economizou nos EUA, no ano de 1999, mais que 2 milhões de libras (907 toneladas) de plástico e metais oriundos de cartuchos que foram destinados a aterros.

    Comunidades como a Igreja Metodista da Broadway (EUA) montaram programas win-win-win (pró-educação, pró-economia e pró-ambiente) de coletas de cartuchos em lojas especializadas, que são revendidos aos remanufaturadores, e revertem como benefícios para os membros da própria comunidade.

    Na Europa já existem associações que regulam e qualificam a atividade de remanufatura: a Associação de Recicladores de Cartuchos do Reino Unido (UKRA) e a Federação Européia de Recicladores de Cartuchos e Suprimentos (ECRS) são exemplos disso. Elas possuem selos de qualificação para empresas que possuem estruturação técnica e física, para apresentar serviços iguais ou melhores que os dos fabricantes OEM. Como os controles de qualidade e a bateria de testes sobre os serviços dos remanufaturadores são maiores do que os usados para o fabricante OEM, na maioria das vezes, o índice de rejeição é menor do que os dos últimos. Devemos lembrar que os remanufaturadores estão trabalhando com cartuchos que, sabidamente, já foram para o mercado e, algum dia, já funcionou perfeitamente.

    A indústria de remanufatura de cartuchos de toner envolve 10.000 companhias e emprega 65.000 pessoas no mundo todo, gerando mais de US$ 160 milhões somente nos Estados Unidos. E é uma indústria que continua crescendo, graças a investimentos em novas tecnologias, a sua competência e a constantes campanhas de conscientização ecológica.

    Saiba Mais...

    Nos EUA são reciclados milhões de cartuchos de toner e jato de tinta por mês e no Brasil, esse número não chega a 500 mil.

    Recarga de toner podem significar uma economia de custo de até 70% em relação aos cartuchos novos.

    Em algumas caixas dos cartuchos laser HP novos, está escrito que estes são compostos por partes novas e usadas.

    Para se obter um certificado ISO, a prática de reciclagem é requerida.

    O Que Você Pode Concluir?

    Ao comprar a sua impressora, não pensou nem foi informado o quanto custaria para abastecê-la de toner ou tinta.

    Que existe no Brasil uma forte tendência a não se adotar a prática da reciclagem devido a enorme pressão exercida pelos fabricantes de impressoras, que ganham mais na venda de cartuchos novos do que ganha na venda de impressoras.

    Que a impressão defeituosa ocorre com a mesma freqüência com cartuchos novos ou reciclados.

    Você compraria um carro para o qual o fabricante determinasse a marca do combustível a ser utilizado?

    Depois de tudo isto você não acha que vale a pena reciclar, com uma empresa que lhe dá garantia total e também uma completa assistência técnica?